Selebra-se hoje o dia da Independência nacional

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Foi a 25 de Junho de 1975 que nasceu Moçambique como um Estado soberano nas palavras de Samora Moisés Machel que naltura dirigia a Frente de Libertação de Moçambique, numa cerimónia ocorrida em noite de chuva no Estádio da Machava.

“Moçambicanas, Moçambicanos, Operários, camponeses, combatentes, Povo Moçambicano: Em vosso nome, às zero horas de hoje 25 de Junho de 1975, o Comité Central da FRELIMO proclama solenemente a independência total e completa de Moçambique e a sua constituição em República Popular de Moçambique” foi com estas palavras que o mundo testemunhou o nascimento de um novo país livre das amarras do colonialismo.

Este discurso iniciou com as palavras de ordem pronunciadas aquando do lançamento da insureição geral em 1964 e na ocasião Samora Machel realçou a capacidade organizativa da frente recém criada “sob a palavra de ordem de unidade e luta contra o colonialismo português e o imperialismo, em dois anos a FRELIMO cria as condições próprias para a passagem da luta de libertação à fase da insurreição geral armada, materializando assim e tornando operativa a unidade conquistada”.

No seu discurso de proclamação da independência, Samora Machel recordou o papel de Eduardo Mondlane na estruturação do movimento e da luta armada “é sob a direcção do Presidente Eduardo Chivambo Mondlane, cuja memória gloriosa e inesquecível nós honramos, que o Povo Moçambicano consolida a sua unidade real, estrutura a sua organização e, esgotados os meios pacíficos, se lança no combate armado de libertação nacional. É sob a direcção da FRELIMO, orientado pela linha política clara na formulação dos objectivos e na definição do inimigo, que o Povo Moçambicano derrota o exército colonial português”, realçou.

Ainda no discurso de proclamação da independência nacional, Samora Machel apontou as linhas que iriam orientar o país recém-nascido “a República Popular de Moçambique, soberana e independente, é um Estado de Democracia Popular em que, sob a direcção da aliança dos camponeses e operários, todas as camadas patrióticas se engajam na luta pela destruição das sequelas do colonialismo e da dependência imperialista, pelo aniquilamento do sistema de exploração do homem pelo homem, pela edificação da base material, ideológica, político-cultural, social e administrativa da nova sociedade”.

A nível económico deixou o mandato que mais tarde foi introduzido na Constituição da República e é mantida até hoje “no processo de edificação material da nova sociedade, tendo a agricultura como base e a indústria como factor dinamizador, contando com as próprias forças e apoiada pelos seus aliados naturais, a República Popular de Moçambique edificará urna economia avançada, próspera e independente, assegurará o controlo dos seus recursos naturais a favor das massas populares, e progressivamente aplicará o princípio justo de a cada um segundo o seu trabalho e de todos segundo as suas capacidades” disse.

Em termos políticos a nossa República tinha a seguinte orientação “a República Popular de Moçambique dotar-se-á de estruturas políticas e administrativas destinadas a aplicar o princípio do Poder Democrático Popular, em que os representantes das massas trabalhadoras designados democraticamente exercerão o poder em todos os escalões”.

E em relação à Educação e Saúde “O Estado promoverá o conhecimento e o revigoramento e a difusão nacional e internacional da cultura moçambicana, elemento de consolidação da unidade nacional e parte essencial da personalidade moçambicana. A liquidação da doença, uma das faces do colonialismo e do subdesenvolvimento, constituirá uma preocupação essencial. A República Popular de Moçambique estenderá a rede dos serviços sanitários através de todo o país, nomeadamente nas zonas rurais a fim de beneficiar as massas trabalhadoras.”