“Moçambique poderia estar no patamar de países desenvolvidos…”

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Mesmo com 45 anos de independência, a Renamo lamenta que Moçambique continue um país pobre. O maior partido da oposição aponta a corrupção, partidarização do Estado e a falta de políticas públicas que se enquadrem à realidade do país como alguns dos aspectos que concorrem para o subdesenvolvimento de Moçambique.

É já esta quinta-feira que o país assinala 45 anos da independência. Durante anos, alguns, senão muitos, consideram que Moçambique alcançou grandes conquistas e trilhou um longo percurso rumo ao desenvolvimento que hoje (actualmente) se assiste, mas para a Renamo, a chamada pérola do índico poderia estar melhor.

“Passados 45 anos, Moçambique poderia estar no patamar de países desenvolvidos como a vizinha África do Sul e alguns países da Europa. Poderia ser referência no mundo fora pelos motivos mais nobres porque tem recursos humanos valiosos e recursos naturais abundantes e diversificados ainda por explorar, alavancando o desenvolvimento económico”, apontou o líder da Renamo, Ossufo Momade.

Contrariamente a este cenário, Ossufo Momade afirma que o país está num atraso económico tanto que ainda tem graves situações de fome. “O subdesenvolvimento a que está voltado o nosso país resulta da falta de políticas sectoriais públicas viáveis e em consentâneas coma nossa realidade”, afirmou o líder da Renamo.

Aliado a isso, o partido da perdiz invoca a corrupção, nepotismo e partidarização do Estado como inimigas do desenvolvimento de Moçambique. “Moçambique precisa de se libertar da corrupção. Este desafio é de todos, mas cabe particularmente aos gestores dos nossos impostos deixar de delapidar os recursos públicos. Nós, como sociedade não podemos permitir que os corruptos continuem a sugar o nosso sangue”, sugeriu Ossufo Momade, acrescentando outros “grandes desafios” a educação de qualidade, uma assistência médica medicamentosa condigna e acima de tudo a despartidarização do nosso Estado.

Num discurso que reconhece Eduardo Mondlane como um dos obreiros da pátria moçambicana, o líder do maior partido da oposição reiterou o distanciamento da Renamo dos ataques armados no centro do país, garantindo, com firmeza na voz, que “os cidadãos que protagonizam esses ataques não recebem ordens da Renamo para praticá-las, não recebem nenhuma logística do nosso Estado-maior General, não recebem nenhuma deliberação de qualquer órgão do Partido Renamo para agir nesse sentido” até porque, de acordo com Momade, os mesmos têm estado a ameaçar a integridade física do líder e quadros do partido.

Ainda na esteira da instabilidade no país, o partido da perdiz diz que há guerra na província de Cabo Delgado e que as Forças de Defesa e Segurança devem ser actuantes e vigilantes a todo o momento dentro dos padrões universalmente aceites, valorizando sobretudo os sinais de alerta, “facto ignorado em 2017, momento em que começou a insurgência”.

E mais: o líder da Renamo recomenda o Governo a pedir apoio da comunidade internacional dentro das possibilidades impostas pela Constituição da República.