Detidos secretários de bairros por venda de terrenos

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Dois secretários de bairros foram detidos na cidade da Beira e outros três andam fugitivos indiciados de venda ilegal de terrenos na zona de Nhangoma a preços que variavam de 300 meticais ate 10 mil. São espaços que estão em áreas não parceladas.

O conselho autárquico da Beira apercebeu-se das negociatas na semana finda e nesta terça-feira começou a destruir todas as obras que estão a ser erguidas ilegalmente e em espaços que ainda não foram parcelados.   

A demarcação de Nhangoma devia ter iniciado em Maio passado, mas devido ao novo Coronavírus o processo ainda não arrancou.

Estranhamente os secretários dos bairros daquela área, e os seus colaboradores, ora fugitivos, e alguns residentes locais, entre eles detentores de machambas em Nghangoma começaram em finais do mês passado a comercializarem a terra.

Um grupo que se identificava como sendo funcionários do município, que colaboravam com os dois secretários, ora detidos, parcelavam a área em alusão com recursos a estacas e munícipes oriundos de vários pontos da cidade da Beira, foram comprando os espaços, a preços que variavam de 300 meticais até 10 mil consoante o tamanho. 

  A demolição das casas decorreu na presença da polícia municipal da Beira e de membros da Polícia da República de Moçambique. Uma cidadã atirou-se para os pneus da máquina que estava a demolir as casas quando o maquinista preparava-se para destruir mais uma casa. Afinal era a sua residência.

“Não sairei daqui, matem-me se for necessário. Não tenho capacidade para arrendar casas e recorri a este local e com muito sacrifício estou a construir a minha casa. Porque não nos notificaram no início das obras para não investirmos as nossas poupanças aqui”.

A senhora foi retirada do local a forca pela polícia e com o apoio das parentes, e a sua casa foi demolida. No total foram destruídas 11 casas que estavam a ser construídas em Nhangoma.

Na ocasião uma senhora, foi flagrada pelo município a vender um espaço da terra a outras duas senhoras, por sinal irmãs, a 600 meticais cada. Ela alegou que fê-lo a mando do seu marido que recebeu aval do secretário do bairro para o fazer. A edilidade obrigou a mesma a devolver o dinheiro que já tinha recebido.

O vereador para a área de construção e urbanização, Albano Cariz, garantiu que a edilidade não permitirá que haja ocupação de espaço sem o aval do município.

“É tempo de pormos ponto final as construções desordenadas que depois criam transtornos na gestão da urbe. Existe um projecto de expansão da urbe e os espaços serão atribuídos pelo município. Nenhum secretário do bairro tem aval para atribuir terrenos. Há mais de uma década emitidos um comunicado neste sentido e é estranho que até hoje as pessoas aceitem serem burladas” – lamentou Cariz.