Protestos nos EUA em meio à pandemia do coronavírus

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People hold up their fists after protesting near the spot where George Floyd died while in custody of the Minneapolis Police, on May 26, 2020 in Minneapolis, Minnesota. - A video of a handcuffed black man dying while a Minneapolis officer knelt on his neck for more than five minutes sparked a fresh furor in the US over police treatment of African Americans Tuesday. Minneapolis Mayor Jacob Frey fired four police officers following the death in custody of George Floyd on Monday as the suspect was pressed shirtless onto a Minneapolis street, one officer's knee on his neck. (Photo by Kerem Yucel / AFP)

Mesmo em meio à pandemia da covid-19, na qual os Estados Unidos é o país com maior número de pessoas infectadas, diversas manifestações foram registradas nas ruas do município de Minneapolis, devido ao assacinato de um Afro americano

Clamando por justiça, centenas de pessoas se reuniram no local onde aconteceu o episódio, com cartazes da campanha “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam, em português) e mensagens que denunciam o racismo da polícia estadunidense. 

Njimie Dzurinko, integrante da Poor People’s Campaign e do movimento negro, condena a ação policial e ressalta que a violência é estrutural contra essa população.

“Ele não fez nada violento. Ele não machucou ninguém. Era acusado de um crime econômico e por isso foi sufocado e morreu, com várias pessoas olhando e filmando. A história da polícia desse país retoma a escravidão do povo africano. A primeira polícia foram os capatazes, que perseguiam os escravos. A força policial sempre se desenvolveu nesse país sendo fundamentalmente anti-negros e anti-pobres.

Os manifestantes relembram o caso de Eric Garner, que também morreu estrangulado por policiais ao ser preso em Nova York, em 2014. Ele repetiu, por 11 vezes, “não consigo respirar”. A frase “I can’t breathe”, em inglês, se tornou uma palavra de ordem internacional, usada em repúdio à violência policial contra a população negra. 

Atos foram registrados até a madrugada desta quinta (28), onde manifestantes atearam fogo em diversos pontos da cidade como forma de protesto.

Ativistas que protestaram ao redor da delegacia onde os policiais que mataram Floyd trabalhavam foram reprimidos com gás lacrimogêneo. Mobilizações também aconteceram em outras cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles. 

“Existe uma revolta crescendo nesse momento em Minneapolis, que supera questões de raça. São pessoas brancas, negras, latinos, atuando junto para exigir justiça. Os policiais foram demitidos mas queremos que eles sejam processados por assassinato. O assassinato de pessoas negras por policiais nesse país é a expressão mais visível da violência do Estado contra os pobres”, reforça Dzurinko.

A Prison Policy assinala ainda que a grande maioria das pessoas presas são pobres, majoritariamente negros, latinos e mulheres. 

Levantamento do jornal Washington Post apontou que 1004 pessoas foram mortas a tiros por policiais no país em 2019, estatística na qual os negros também são os mais atingidos. Estudo da organização Mapping Police Violence (Mapeando a violência policial, em português), também explicitou que, nos Estados Unidos, negros têm quase três vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos

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